← INSIGHTSArtigo

Volatilidade também é risco

16 de outubro de 2021·Lucas Pires
Volatilidade também é risco
Este conteúdo foi originalmente produzido pela DAO Capital, hoje parte da Giant Steps Capital. As informações, opiniões e referências aqui contidas refletem o contexto da época de sua publicação e podem não representar a visão ou a estrutura atual da Giant Steps Capital.

É bastante comum nos depararmos nas redes sociais com o jargão “volatilidade não é risco”. O argumento de fundo, especificamente no caso das ações, é que esse tipo de investimento é de longo prazo e a oscilação diária do preço das ações (volatilidade) não reflete o real risco do negócio.

Esse argumento tem uma lógica e, inegavelmente, o investidor de ações deve ter um horizonte de longo prazo. No entanto, o longo prazo de um investidor não é, necessariamente, o mesmo de outro. Além disso, nossa própria vida é recheada de incertezas. Desastres e oportunidades não previstos acontecem a todo momento. E é nesse contexto que, sim, volatilidade importa.

Para ilustrar o efeito da volatilidade, selecionamos 2 ações (ITSA4 e KEPL3) que no período de 04/01/2010 a 11/10/2021 tiveram praticamente o mesmo retorno acumulado. O investidor que tivesse comprado qualquer uma dessas duas ações teria visto seu capital aumentar em cerca de 219,3% no período, como mostra o gráfico abaixo.

Analisando o gráfico, fica evidente que a jornada para o investidor de Itaúsa teria sido muito mais suave do que para o investidor de Kepler Weber. Ao calcularmos a volatilidade dos retornos nesse período, nossa intuição se confirma. Para ITSA4 a volatilidade anualizada foi de 30,6% e para KEPL3 de 47,7%.

Agora propomos o seguinte exercício. Vamos simular 10000 acionistas fictícios. Para cada um deles, será sorteada uma data aleatória em que o investidor compra ações tanto da Itaúsa, quanto da Kepler. Posteriormente, em uma outra data também aleatória, o investidor se desfaz das ações, sendo a segunda data maior que a primeira. Em outras palavras, simulamos 10000 operações compradas em Itaúsa e mais 10000 operações correspondentes em Kepler. O resultado em cada uma das ações é calculado de maneira independente. Como cada investidor comprou as duas ações em cada data, por simplicidade, classificaremos as operações nessas ações como lucrativas (retorno >0 em cada ação) ou não (retorno <0). Claro que aqui não consideramos diversos fatores relevantes e que devem ser avaliados em análises mais completas para definir o “sucesso” de um investimento: prazo, custo de oportunidade, inflação no período etc.

O gráfico abaixo exibe a proporção de investidores em cada grupo para ambas as ações. Vejam que, mesmo entregando retornos acumulados idênticos no período, a proporção dos investidores em Kepler Weber que perderam dinheiro em suas operações foi quase o triplo da proporção dos investidores em Itaúsa. Essa diferença é explicada em boa parte pela diferença de volatilidade entre as ações.1

Adicionalmente, podemos avaliar o efeito do prazo do investimento no seu resultado. A figura abaixo mostra a proporção de “ganhadores” para diferentes horizontes de investimento. Para as duas ações, quanto maior o prazo, maior a chance de um investidor ter tido um retorno positivo. Porém, esse efeito foi muito mais consistente na ação da Itaúsa. Esse é mais um efeito da volatilidade. Tudo mais constante, uma menor volatilidade faz com que a tendência de longo prazo de valorização das ações precise de menos tempo para dominar o efeito aleatório do curto prazo.

Ao longo desse post, usamos um exemplo simples para ilustrar como a volatilidade de um ativo pode afetar o resultado de um investimento. É claro que esse tema é muito mais complexo e não deve ser tratado apenas através de exemplos. Mas o recado principal permanece: volatilidade é fator relevante na análise de investimento. Sobretudo para investidores profissionais, que têm o dever fiduciário de buscar um bom desempenho para todos os seus cotistas.

(1) Tecnicamente, a probabilidade de se ter um retorno positivo com uma determinada ação depende tanto da sua volatilidade (desvio padrão dos retornos) quanto do seu retorno médio. Para ilustrar, podemos assumir que o retorno das ações segue um modelo de passeio aleatório com tendência. Nesse caso, para ações com retornos médios positivos, a ação que possuir a maior relação entre o seu retorno médio e o seu desvio padrão terá uma maior probabilidade de ter um retorno acumulado positivo para um determinado horizonte.

Sobre o autor
Lucas Pires
Lucas Pires
Portfolio Manager

15+ anos em análise e gestão quantitativa. Portfolio Manager das principais estratégias da casa, liderando as rotinas dos fundos, pesquisa e alocação

Este material foi elaborado pelo grupo Giant Steps e possui caráter meramente informativo. Em casos de eventuais divergências entre as informações aqui contidas e as disponibilizadas através do extrato mensal, emitido pelo administrador do fundo, deverão prevalecer as informações do referido extrato mensal. Recomenda-se a leitura atenta e cautelosa do regulamento deste fundo, em caráter antecedente a uma eventual tomada de decisão de investimento. Nenhuma informação contida neste material constitui uma solicitação, oferta ou recomendação para compra ou venda de cotas de fundos de investimento, ou de quaisquer outros valores mobiliários. A rentabilidade obtida no passado não configura, em hipótese alguma, garantia de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. Para a avaliação do desempenho do fundo de investimento, é recomendável uma análise de, no mínimo, 12 (doze meses). Fundos de Investimento não contam com garantias do (a) administrador do fundo; (b) Grupo Giant Steps; (c) Fundo Garantidor de Crédito – FGC; nem por qualquer mecanismo de seguro. As comparações a certos índices de mercado foram incluídas para referência apenas e não representam garantia de retorno pelo Grupo Giant Steps. Este fundo se utiliza de estratégias que podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo, inclusive, acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a consequente obrigação dos cotistas em aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo. Este material não pode ser copiado, reproduzido ou distribuído sem a prévia e expressa anuência do Grupo Giant Steps. Supervisão e Fiscalização: Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Serviço de Atendimento ao Cidadão: www.cvm.gov.br. Contato Institucional Grupo Giant Steps: contato@gscap.com.br | +55 11 2533 2820.
Comentários
Deixe seu comentário