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Volatilidade: oportunidade ou armadilha na hora de comprar fundos de investimento?

16 de novembro de 2023·Lucas Pires
Volatilidade: oportunidade ou armadilha na hora de comprar fundos de investimento?
Este conteúdo foi originalmente produzido pela DAO Capital, hoje parte da Giant Steps Capital. As informações, opiniões e referências aqui contidas refletem o contexto da época de sua publicação e podem não representar a visão ou a estrutura atual da Giant Steps Capital.

A gestão ativa de fundos de investimento, em especial os fundos multimercados, tem por objetivo identificar oportunidades de investimentos em diversas classes de ativos (ações, juros, moedas, etc.), com a alocação feita por gestores e seus times de analistas sempre que há uma opinião de que os preços correntes não refletem adequadamente o valor justo ou o potencial de valorização de determinado ativo.

Por definição, quanto mais volátil o mercado, maiores as oscilações de preço. E é razoável supor que, quanto mais os preços oscilam, maiores as chances de alguns ativos estarem precificados de forma errada, dando oportunidade ao gestor e ao fundo de investimento de capturar essas distorções e gerar retornos positivos em excesso à taxa livre de risco (no caso brasileiro, utilizaremos o retorno do CDI como referência).

Nesse post, inspirado nesse estudo aqui, vamos investigar rapidamente essa hipótese. Será que momentos de alta volatilidade nos mercados estão ligados a um melhor desempenho dos gestores em relação ao poderoso CDI?

Como métrica de desempenho dos fundos, usaremos os retornos mensais do IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA), que é a principal referência para a indústria e agrega o desempenho de mais de trezentos fundos. Os dados cobrem o período de novembro de 2007 a outubro de 2023, totalizando 192 retornos mensais.

Já para caracterizar os regimes de volatilidade, usaremos duas métricas:

Após o cálculo, cada uma das métricas é separada pela sua mediana para definir o regime de volatilidade. Meses com valores acima da mediana são caracterizados como Vol Alta e abaixo, evidentemente, como Vol Baixa. No período analisado, a mediana de volatilidade do Ibov (anualizada) foi de 20,73%. Já para o VIX, o valor de corte foi de 17,95%.

A figura abaixo mostra o percentual dos meses em que os fundos superaram o CDI, segmentados pelo regime de volatidade, nas duas métricas descritas acima de maneira independente. A proporção incondicional, isto é, sem qualquer segmentação é de 57,8%.

Note que não há uma direção única. Quando medida pelo VIX, a volatilidade alta parece ser vantajosa para os fundos (63,5% de outperformance contra o benchmark vs 52,1% no regime de baixa volatilidade). Porém, a lógica se inverte quando segmentamos pelo Ibov (54,7% vs 60,8%). Nesse segundo caso, a volatidade baixa tende a ser mais positiva.

Para tentar entender melhor a interpretação divergente acima, vamos criar uma segmentação que considere ambas as métricas simultaneamente. Como os mercados financeiros são integrados, é de se esperar que os dados se concentrem em momentos em que ambas as métricas “coincidem”. Essa intuição pode ser confirmada na tabela de frequência abaixo.

Finalmente, a imagem abaixo exibe o desempenho mensal dos fundos brasileiros em relação ao CDI quando consideramos a segmentação simultânea entre os regimes de volatilidade medidos tanto pelo Ibov, quanto pelo VIX. Os momentos mais positivos para os fundos costumam combinar baixa volatilidade no mercado brasileiro e alta volatilidade nos mercados internacionais. Nesses meses, o IHFA costuma superar o CDI em 70% das vezes. Por outro lado, quando a volatilidade é um fenômeno puramente local, os fundos superam o CDI em apenas 44% dos meses.

Em menor grau, o regime de alta volatilidade, tanto no VIX, quanto no Ibovespa, parece também ser marginalmente favorável aos gestores brasileiros, com o IHFA superando o CDI em 60% das vezes. E com resultado ainda positivo, só que em menor escala, os gestores tiveram performance superior ao CDI em 56% dos casos nos cenários de baixa volatilidade nos mercados locais e externo.

As conclusões parecem alinhar-se, em parte, com a hipótese apresentada originalmente, de que mercados com mais volatilidade oferecem mais oportunidade para o gestor ativo identificar oportunidades e oferecer retornos acima do benchmark. A exceção evidente é quando a volatilidade se restringe principalmente ao mercado de renda variável brasileira, cenário em que o CDI venceu os fundos em 56% dos casos.

Lucas Pires | Caio Castro

Sobre o autor
Lucas Pires
Lucas Pires
Portfolio Manager

15+ anos em análise e gestão quantitativa. Portfolio Manager das principais estratégias da casa, liderando as rotinas dos fundos, pesquisa e alocação

Este material foi elaborado pelo grupo Giant Steps e possui caráter meramente informativo. Em casos de eventuais divergências entre as informações aqui contidas e as disponibilizadas através do extrato mensal, emitido pelo administrador do fundo, deverão prevalecer as informações do referido extrato mensal. Recomenda-se a leitura atenta e cautelosa do regulamento deste fundo, em caráter antecedente a uma eventual tomada de decisão de investimento. Nenhuma informação contida neste material constitui uma solicitação, oferta ou recomendação para compra ou venda de cotas de fundos de investimento, ou de quaisquer outros valores mobiliários. A rentabilidade obtida no passado não configura, em hipótese alguma, garantia de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. Para a avaliação do desempenho do fundo de investimento, é recomendável uma análise de, no mínimo, 12 (doze meses). Fundos de Investimento não contam com garantias do (a) administrador do fundo; (b) Grupo Giant Steps; (c) Fundo Garantidor de Crédito – FGC; nem por qualquer mecanismo de seguro. As comparações a certos índices de mercado foram incluídas para referência apenas e não representam garantia de retorno pelo Grupo Giant Steps. Este fundo se utiliza de estratégias que podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo, inclusive, acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a consequente obrigação dos cotistas em aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo. Este material não pode ser copiado, reproduzido ou distribuído sem a prévia e expressa anuência do Grupo Giant Steps. Supervisão e Fiscalização: Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Serviço de Atendimento ao Cidadão: www.cvm.gov.br. Contato Institucional Grupo Giant Steps: contato@gscap.com.br | +55 11 2533 2820.
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