
Performance
Em março, o resultado do Zarathustra foi de –1,24%. Os principais ganhos vieram das posições long-short não direcionais em equities US e posições vendidas em dólar contra emergentes, destaque para rúpia indiana.
As principais detratoras de performance foram as posições long-short não direcionais em bolsa local, com destaque para posições vendidas em consumo discricionário e energia, e do book direcional de juros locais com reversões durante o período.
Contexto
No período, o cenário global foi definido por choques tarifários e incertezas políticas. Nos EUA, a escalada das tarifas foi o principal fator de volatilidade nos mercados ao redor do mundo. Com as medidas anunciadas por Donal Trump, a pressão no aumento dos custos para produção, somada a uma volatilidade sem precedentes na política comercial, elevou os níveis de incerteza, levando a uma queda significativa nos investimentos empresariais, deteriorando a confiança dos consumidores e investidores, além de manter as expectativas quanto à uma inflação elevada. Essa, contrariando as expectativas de estabilidade, apresentou um core PCE com elevação de 0,4% em fevereiro. A incerteza se reflete também nas projeções de crescimento do país, com expectativas para o PIB em 2025 sendo revistas para cerca de 1,7%, e dados recentes do primeiro trimestre indicando uma contração de mais de 2%.
O Fed, por sua vez, mantém uma postura cautelosa. Apesar de ter mantido a taxa de juros inalterada entre 4,25% e 4,5%, as revisões das projeções indicam um cenário de desaceleração do crescimento e de persistência inflacionária. A entidade reconhece que os riscos de uma trajetória stagflacionária são reais, embora os fundamentos da economia americana ainda permitam certa resiliência.
A Europa está respondendo aos choques tarifários dos EUA com uma grande reorientação fiscal e política — incluindo um fundo de infraestrutura de €500 bi na Alemanha, maior flexibilidade para gastos em defesa e um programa de rearmamento da UE — que, embora só deva impulsionar o crescimento significativamente a médio prazo, ajuda a conter o impacto negativo das tarifas; já a China ampliou seu limite anual de endividamento em 2,1% do PIB para sustentar um crescimento próximo a 5%, mas enfrenta pressões tarifárias que podem limitar a recuperação do consumo.
O book direcional de juros offshore, bem como o de commodities, tiveram performance neutra devido ao baixo risco alocado no período. O modelo direcional de FX teve performance negativa, com as posições compradas em dólar contra uma cesta de moedas – destaque para DM – sendo detratoras, em março.
O Brasil iniciou o mês com a divulgação do PIB de 2024, que cresceu 3,4% impulsionado pelos setores de serviços e indústria. Embora esse resultado supere os 3,2% de 2023, o avanço de apenas 0,2% no quarto trimestre de 24, sinalizou desaceleração da economia, que chegou a resultar no fechamento dos juros futuros, no início do mês. No entanto, esse movimento foi revertido, à medida que dados importantes foram divulgados, como o IPCA de fevereiro, que apesar de alinhado às expectativas, ainda reforça a projeção de inflação acima da meta em 2025. Além disso, o Copom elevou a Selic em 100 bps, para 14,25%, o mercado de trabalho segue resiliente e o governo mantém a agenda de estímulos fiscais e de crédito. Esse cenário em um contexto de aversão a risco global adicionou volatilidade à curva de juros, com pressões altistas. Nesse contexto, o book de juros locais foi detrator devido às reversões no período.
O book local de equities long short foi o principal detrator de performance no período, com as posições vendidas em setores cíclicos e sensíveis ao ciclo econômico respondendo pela maior parte do resultado negativo. Os shorts em Consumo Discricionário (em específico, varejo) foram impactados por um fluxo comprador pontual, enquanto o short em empresas do setor de Energia registrou perdas diante da elevação nas expectativas de preços de commodities, em função de tensões geopolíticas já citadas.
Por outro lado, o book de equities nos EUA teve retorno positivo, ainda impulsionado pelas posições vendidas nos setores Financeiro e de Tecnologia, repetindo o destaque do mês anterior. Essas exposições beneficiaram‑se da postura cautelosa dos investidores em reação aos sinais de desaceleração econômica nos EUA e do aumento das incertezas globais.
Posicionamento
O fundo começa abril tomado em juros locais e posições relativas no offshore, porém com baixo risco alocado nos books. No book de FX, o fundo inicia o mês com viés vendido em dólar, destaque para posições vendidas em dólar contra o real e rúpia indiana. O fundo inicia o mês neutro em commodities, no book de equities, posições long-short não direcionais na bolsa local e equities offshore.
Gráficos


