
Performance
Em dezembro, o resultado do Zarathustra foi de –0,27%. O book local de equities long short foi o principal promotor de performance do período, com destaque para posições vendidas em Industrials e compradas em Materials, juntamente com o book direcional de juros offshore, destaque para as posições aplicadas em juros curtos da Europa.
O principal detrator de performance do período foi o book direcional de juros locais, com posições aplicadas no início do período e que sofreram forte reversão. Os books direcionais de FX e commodities também foram detratores, com posições vendidas em dólar contra o real e vendidas em energéticas, respectivamente.
Contexto
No globo, o mês de dezembro marcou a normalização progressiva do fluxo de informações econômicas nos EUA após o encerramento do shutdown. Com a regularização do calendário, o foco se voltou para a reunião do FOMC, na qual o Fed confirmou a viabilidade do ciclo de flexibilização monetária a partir dos indícios de que a trajetória está sendo realmente desinflacionária. Esse cenário de reancoragem das expectativas sobre a taxa terminal de juros reduziu o prêmio de risco nas curvas globais com um direcional claro, favorecendo os modelos direcionais de juros offshore que estavam aplicados nos vértices curtos da curva a termo. Em contrapartida, o book direcional de commodities foi detrator de performance, devido à volatilidade sem direcional claro nos ativos de energia diante da incerteza sobre as cotas de produção da OPEP+.
No Brasil, o cenário local foi marcado pela sensibilidade da curva futura aos dados de atividade resiliente e ao ruído fiscal de encerramento de ano. Além do componente fiscal, a persistência de núcleos inflacionários em patamares desconfortáveis e a baixa liquidez sazonal de fim de ano forçaram uma reprecificação dos prêmios de risco. Embora o Bacen tenha mantido a guarda alta quanto à convergência das expectativas de inflação, a pressão nos vértices da curva a termo gerou movimento de abertura. Nesse contexto, o book direcional de juros locais foi o principal detrator de performance no período, sofrendo com a forte reversão das posições aplicadas que tiveram boa performance no período anterior.
Por fim, o book local de equities long-short inverteu a dinâmica do mês anterior e foi o principal promotor de performance em dezembro. Como destaque temos as posições short em Industrials e long em Materials, em um cenário de atividade industrial doméstica ainda em ritmo de desaceleração, o que penalizou empresas de bens de capital, enquanto o setor de materiais básicos encontrou suporte na estabilização dos preços de commodities metálicas e na perspectiva de recuperação da demanda externa com a sinalização mais clara de juros menores nos EUA. Porém, as posições long em Communication Services foram as principais detratoras do book, afetadas pela compressão de margens e revisões de lucro no setor de telecom, embora não tenham neutralizado o ganho consolidado da estratégia.
Posicionamento
O fundo começa janeiro neutro no book direcional de juros como um todo, considerando local e offshore com as reversões de dezembro. O fundo inicia o mês short commodities energéticas e agrícolas. No book de FX, baixo risco alocado, porém viés comprado em dólar contra uma cesta de moedas, destaque para libra. No book de equities, posições long-short não direcionais na bolsa local.
Gráficos


O ano de 2025
Em 2025, o Zarathustra operou em um regime de mercado estruturalmente hostil para estratégias sistemáticas, caracterizado por ruído elevado e pela ausência de tendências duradouras, principalmente no ambiente local. Os principais detratores foram os books direcionais de Juros Locais e Equities Long-Short Brasil, o primeiro sofreu com reversões constantes nos direcionais, enquanto o segundo enfrentou a perda de poder explicativo de fatores, como Quality e Estimates. Nesse cenário, a quebra de correlações históricas impediu que a diversificação reduzisse os choques, resultando em um ano de compressão de prêmios de risco e penalização relevante, especialmente no book short de ações e no book de trend DI como um todo.
Sob uma ótica técnica, o drawdown observado, embora doloroso pelo custo de oportunidade acumulado frente ao CDI nos últimos quatro anos, permanece dentro dos parâmetros estatísticos previstos nos modelos do fundo. Vale reforçar que mantivemos a disciplina metodológica, evitando intervenções discricionárias que poderiam comprometer a integridade do alpha a longo prazo. O diferencial positivo do ano veio da capacidade do modelo direcional de FX, que isolou movimentos idiossincráticos em mercados emergentes, demonstrando que o motor de captura de tendências permanece funcional quando o sinal se destaca em meio ao ruído político-fiscal.
Para 2026, a perspectiva de melhora baseia-se na transição para uma arquitetura mais adaptativa, com a implementação de filtros de “regime de volatilidade” desenhados para reduzir a exposição em cenários de baixa relação sinal-ruído. O fundo também conta com a introdução gradual de um novo vetor de alpha pautado em convergência de preços e distorções de curto prazo, descorrelacionado das estratégias de trend-following de médio e longo prazo e das soluções de equities market neutral existentes. A expectativa é que, com o amadurecimento desse novo mecanismo de alocação e a diversificação de sinais propícios ao atual regime de mercado, o fundo recupere sua capacidade histórica de capturar alpha em diferentes cenários, convergindo novamente para os resultados demonstrados ao longo de sua trajetória de mais de 13 anos.
