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Carta aos Cotistas (4Q2019)

13 de janeiro de 2020·Mauro Shinzato
“Life […] is a tale Told by an idiot, full of sound and fury, Signifying nothing.” William Shakespeare, Macbeth

“Life […] is a tale

Told by an idiot, full of sound and fury,

Signifying nothing.”

William Shakespeare, Macbeth

Resultados dos fundos 

O fundo Zarathustra FIC FIM rendeu 2,07% (167% do CDI no período) no trimestre e fechou o ano com retorno de 11,00% (184% do CDI) acumulado em 2019. Os destaques positivos do último trimestre foram as bolsas, brasileira e internacionais, e juros locais. Juros internacionais foram a maior contribuição negativa do período. O fundo Sigma FIC FIM rendeu 2,12% no quarto trimestre (171% do CDI no período) e 16,77% acumulado no ano (281% do CDI) de 2019. Os maiores ganhos vieram de estratégias em bolsa local e global e juros reais. Destacamos o início de operação da estratégia de commodities, que também teve importante contribuição positiva ao resultado do trimestre. As maiores perdas vieram de juros em países do G-10 e moedas. O fundo segue com alocação de risco parcialmente reduzida.

Contexto nacional – 2019

Se o final da temporada 2019 não foi recheada de drama como 2018 (um espetáculo cheio de som e fúria, significando nada)1, não faltou ao último ato do ano um clímax apoteótico, embalado pela recuperação cíclica da economia que, enfim, se fez notar. Iniciada na virada do semestre, com a aprovação da reforma da Previdência, a retomada econômica deslanchou de vez no último trimestre, com o afrouxamento de juros pelo Banco Central, o aumento do crédito imobiliário e a liberação dos saques do FGTS. O resultado foi o melhor Natal dos últimos cinco anos, com vendas de varejo quase 10% acima de 20182; vendas de veículos3 e linha branca, respectivamente, 12% e 15% acima de dezembro de 2018; venda de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo mais de 60% (!!!) sobre 20184 (acum. até outubro). 

A bolsa, que vinha galgando degraus desde o início do ano, bateu recorde em dezembro (ainda que, como lembram os otimistas, permaneça 35% abaixo do recorde em dólar). As taxas de juros caíram ao menor nível da história, com a SELIC fechando o ano em 4,5% — taxa de juro real (ex-ante) pouco abaixo de 1%. É certo que o ambiente externo de juros extremamente baixos (e até negativos) contribuiu para este feliz desfecho. Mas não se pode deixar de creditar o mix de políticas econômicas — monetária e fiscal — fundamentalmente mais sãs, iniciadas no governo Temer e mantidas sob Bolsonaro. Os que viveram os anos 90 e 00 (e mesmo anos recentes), período em que o Brasil rotineiramente ostentava juros de dois dígitos e figurava entre os campeões mundiais na modalidade juro real, sabem apreciar o significado dessa conquista (link 9). Ao contrário de outros episódios de juros baixos, que se mostraram efêmeros, o presente tombo parece ter vindo para ficar. Um ambiente de juros moderados, comparáveis aos praticados no resto do mundo, pode representar uma mudança sísmica não apenas na economia (imagine: cheque especial sem juros de agiota!) como para as contas fiscais. De fato, o secretário Mansueto de Almeida prevê uma economia de centenas de bilhões de reais para o Tesouro em 2020 por conta na queda do juro5. 

O final do ano teve também sua cota de dissabores: puxada pela alta da carne — consequência da febre suína, que dizimou 40% do rebanho chinês e fez disparar o preço de proteína animal no mundo — a inflação6 de dezembro ficou acima de 1%, frustrando a expectativa de que o IPCA terminasse o ano abaixo de 4% (ainda assim, ficou abaixo da meta de 4,25%). O choque da carne e outros preços dolarizados (combustíveis), combinado a indícios de aquecimento (aluguéis comerciais) e gargalos (fretes rodoviários) em alguns setores levou o COPOM a adotar cautela e sinalizar interrupção no ciclo de queda de juros em sua última reunião do ano. A curva de juros inclinada indica que o mercado espera aumento da SELIC ainda em 2020. Seja como for, o nível ainda elevado de desemprego (11,6% em novembro) sugere que a inflação continuará confortavelmente próximo da meta no horizonte visível. 

Contexto internacional – 2019

O dólar, que em novembro atingiu sua máxima cotação, 4,2675 (embora, corrigido pela inflação, bem abaixo do nível alcançado em 2002) antes de recuar em dezembro, também foi um desmancha-prazeres. Uma conjunção de fatores explica o movimento altista: aversão a risco global, com as idas e vindas do conflito comercial sino-americano; o fraco desempenho das exportações brasileiras7; contaminação da Argentina, que elegeu um governo hostil a reformas liberalizantes, são alguns. Talvez o fator decisivo, contudo, tenha sido a queda do juro local, que reduziu a diferença entre os juros no exterior e o local e, tudo mais constante, torna menos atraente o chamado “carry trade” para investidores estrangeiros; a queda dos juros precipitou um movimento de troca de dívida externa por dívida local entre empresas brasileiras, o que também contribuiu para o enfraquecimento do real. 

Enquanto algumas personagens continuaram a assombrar os palcos como fantasmas de natais passados — vale dizer, a longa e tortuosa disputa comercial entre EUA e China — outras saíram silenciosamente de cena. A ameaça de recessão, prenunciada pela inversão da curva de juros americana, não se materializou e foi arquivada até segundo aviso. Houve reviravoltas inesperadas de enredo: o presidente Trump, que parecia ter escapado ileso da investigação sobre seu envolvimento com agentes russos durante a campanha presidencial, acabou se enredando em outro (mais um) escândalo — este, envolvendo extorsão ao governo da Ucrânia — pelo qual foi impichado na Câmara e aguarda julgamento no Senado. Para não deixar por menos, o ano novo começou com um estrondo: o assassinato ordenado pelos EUA de um alto militar iraniano — e todos os seus desdobramentos. 2020 promete…

Por Jorge Larangeira

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Referências:

• https://gscap.com.br/carta-aos-cotistas-4q18/

• https://veja.abril.com.br/economia/vendas-no-natal-disparam-95-melhor-resultado-desde-2014/#

• https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/01/02/venda-de-veiculos-no-pais-cresce-1048percent-em-2019-diz-fenabrave.ghtml

• https://indiceseconomicos.secovi.com.br/indicadormensal.php?idindicador=90#

• https://valor.globo.com/brasil/coluna/o-ano-em-que-os-juros-foram-jogados-ao-chao.ghtml

• https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/26443-ipca-15-acelera-para-1-05-em-dezembro-maior-resultado-para-o-mes-desde-2015

• https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/01/02/balanca-comercial-tem-superavit-de-us-46674-bilhoes-em-2019.ghtml

• https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/26302-sp-puxa-alta-da-producao-industrial-em-outubro-mas-go-e-am-tem-maior-avanco

• https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/01/02/fluxo-cambial-tem-saida-liquida-de-us-3445-bilhoes-na-semana-passada.ghtml

• https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/01/02/mercado-de-escritorios-favorece-mais-proprietario.ghtml

Sobre o autor
Mauro Shinzato
Mauro Shinzato
CEO

+10 anos escalando negócios de tech e mercado financeiro. Responsável pela estratégia corporativa, representação institucional e novos negócios. Formado em Administração de Empresas na FGV

Este material foi elaborado pelo grupo Giant Steps e possui caráter meramente informativo. Em casos de eventuais divergências entre as informações aqui contidas e as disponibilizadas através do extrato mensal, emitido pelo administrador do fundo, deverão prevalecer as informações do referido extrato mensal. Recomenda-se a leitura atenta e cautelosa do regulamento deste fundo, em caráter antecedente a uma eventual tomada de decisão de investimento. Nenhuma informação contida neste material constitui uma solicitação, oferta ou recomendação para compra ou venda de cotas de fundos de investimento, ou de quaisquer outros valores mobiliários. A rentabilidade obtida no passado não configura, em hipótese alguma, garantia de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. Para a avaliação do desempenho do fundo de investimento, é recomendável uma análise de, no mínimo, 12 (doze meses). Fundos de Investimento não contam com garantias do (a) administrador do fundo; (b) Grupo Giant Steps; (c) Fundo Garantidor de Crédito – FGC; nem por qualquer mecanismo de seguro. As comparações a certos índices de mercado foram incluídas para referência apenas e não representam garantia de retorno pelo Grupo Giant Steps. Este fundo se utiliza de estratégias que podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo, inclusive, acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a consequente obrigação dos cotistas em aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo. Este material não pode ser copiado, reproduzido ou distribuído sem a prévia e expressa anuência do Grupo Giant Steps. Supervisão e Fiscalização: Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Serviço de Atendimento ao Cidadão: www.cvm.gov.br. Contato Institucional Grupo Giant Steps: contato@gscap.com.br | +55 11 2533 2820.
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